* New beginning *

E cá estamos desde dia 2 Outubro a tentar dar cor a esta "nova vida"!
Mudei de emprego, e para quem já trabalhou ou trabalha nesse sitio que foi praticamente a minha casa no ultimo ano, sabe do que vou falar.
É um sítio que nos inunda de emoções, muitas vezes más, que nos consome a alma e as horas que constituem os dias... Rouba-nos a nossa vida real, aquela em que temos de decidir onde vamos e com quem. Ali decide-se tudo por si, quer seja pelo volume de trabalho, quer seja pelo companheirismo, as vezes só imaginado por nós...
Os seres humanos envolvem-se demasiado, e fica tudo demasiado focado apenas naquela direcção.
E assim foi o meu último ano, deixei-me de saídas até Lisboa às tentas, esqueci-me de que os empregos tem hora de entrada mas também de saída...
Fiz amigos, apaixonei-me, reduzi-me ao que de facto preenchia as 24h do meu dia.
Sofri e fiz sofrer, fui feliz e fiz alguém feliz...
Mas quando as coisas se misturam demasiado, acabamos por esquecer o verdadeiro motivo pelo qual estamos ali, o trabalho, um trabalho como outro qualquer, que de mim em particular exigia muito, e eu tinha, estranhamente, prazer em dar de mim... Não sei se para provar que era capaz, se para agradar a alguém, se por sentir que alguém confiava nas minhas capacidades. Talvez um misto de tudo isto...
Mas isto, tinha que parar. Quando nos envolvemos demais, temos que saber quando parar!
Eu sei que o meu tempo para parar já tinha passado, oportunidade que não quis agarrar, porque custa sair, custa estar em "casa" rodeado de pesssoas de quem se gosta e se quer bem, para de repente passar 8 horas do dia junto de pessoas que não nos conhecem, que não nos dão calor nem frio. Mas é assim que deve ser...
E por isso, desde 2ª feira passada embarquei nesta aventura nova, levanto-me as 6h30 da manhã para ir para Lisboa (antes acordava as 8h30 para entrar as 9h30...), chego por volta das 8h30 ao Marquês de Pombal e sento-me no café da Sical do Metro... Olho para as pessoas, em 3 dias vi mais pessoas que no último ano...
Chego ao meu novo emprego, onde infelizmente não existe a mesma agitação, nem a mesma autonomia ou pressão, nem a pausa para ir ter com os amigos e dar o beijinho da manhã... Porque ali, há vários tipos de café e chá, bolachas e maçãs, mas não estão lá os meus amigos...
As 18h em ponto agarro nas minhas coisas e saio, não penso no que fiz essas 8h quando saio, penso sim nas saudades, saudades das pessoas, daquelas que nos conhecem bem, que nos fazem sentir em casa, com quem vamos a qualquer lado quando saimos, com quem vamos desabafar sobre a pressão e reclamamos, mesmo sabendo que é esse o motivo que nos faz estar ali e dar tudo por tudo...
Tenho saudades sim, embora goste de andar por Lisboa, sair do trabalho e apanhar o metro para o Chiado, lembrar-me de quando tinha 15 anos e iá descalça e a pé de um a outro sítio. E é quando penso isso, que me lembro que já sobrevivi às mais radicais mudanças...
Estou perto da Susana, da Laia, da Lara, da Pipa, da Margarida, da Nikita... Posso estar com um deles todos os dias, mas porque será que não me chega?...
Bem, a grande aventura têm sido os transportes, que afinal a mim me parecem facílimos!
Comboio das 7h58, metro linha Azul até à Baixa-Chiado, muda para a linha Azul até ao Marquês! As 8h30 em ponto estou no Marquês. Em dias de preguiça ou indecisão posso apanhar o das 8h10, chego as 8h45. Ontem até apanhei o 20 para o Calvário e as 18h30 estava na D. Gracinda! É giro sem dúvida, tenho que aprender a aproveitar o que isto me pode trazer de bom!
Mas não tenho vergonha de dizer que sinto saudades, saudades da João e do Garrido, da Catarina, do Moura, do Filipe, do Henrique, da Ana Costa e da Carla, do meu amigo Lóis, do Mouzinho e do Manel, do Miguel e do Afonso...
Sinto sim!
Fica o registo da minha experiência nas máquinas de fotos tipo passe do Metro (eu não sabia que os bancos rodavam...!), esta vai ser a miha carinha laroca no Cartão Lisboa Viva... Sim, porque eu agora tenho passe social! ***
Beijos para todos e mais alguns...***
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