Sonhos não vividos, vidas não sonhadas...
A primeira vez que falamos há 8 anos aconteceu por tua iniciativa A primeira coisa que me disseste foi que tinha um sorriso bonito, e que achavas que eu devia saber. Porque quando pensamos algo de bom sobre alguém, mesmo que não o conheçamos devemos dizer. Devemos fazer as pessoas saberem que há quem pense nelas. Bem.
Isto ecoou-me na cabeça anos a fio. Tu ecoas-me na cabeça há anos a fio. Ainda hoje não entendo o que viste no meu sorriso. Passaram 8 anos, e ainda não há um dia da minha vida em que não pense em ti. Normalmente ao deitar, por hábito talvez de ter sido por ti embalada noites atrás de noites.
Desde que te conheci tanta coisa mudou nas nossas vidas. Mas as marcas que deixaste na minha vida são incomparaveis a qualquer outra presença. Enfim, não quero divagar e pôr-me a viajar pelo passado, até porque há muito que deixaste de querer fazer essa viagem comigo.
O que quero, preciso e desejo dizer-te desde há muito tempo para cá, é que me enganei. E que te enganei. Porque não sabia. Não sabia muitas coisas que o tempo me ensinou e que os últimos dois anos me entregaram de bandeja.
Não sabia que gostar era calmo, doce, cheio. Não sabia que não tinha que se sofrer, que ter medo, que magoar, que fugir e correr atrás. Não sabia que amar era partilhar, era gostar de dar mais do que receber. Que amar era construir. Que amar era sereno como um pôr-do-sol de verão.
Só conheci durante muito tempo uma maneira de gostar. Doente, obcecada, sofrida. De remoer as entranhas, de não deixar dormir durante a noite. De ter medo de perder e correr para conseguir sem saber pelo que se corre. E assim corri eu, para lado nenhum.
O que quero dizer é que tu foste, sem dúvida, a pessoa mais importante da minha vida. Que te amei muito mais do que te soube mostrar, que te amo há muitos anos em silêncio. Que sinto mágoa de não estar ao teu lado. Que sinto “inveja” por não estar.
Que nunca gostei de ninguém como gostei de ti, e que nunca ninguém teve a importância que tu mantiveste na minha vida. Que nunca ninguém me fez tão feliz como tu. Que nunca me senti tão amada como contigo. Que nunca ninguém me conheceu como tu.
Quero pedir desculpa. Desculpa por não ter sabido a tempo. Desculpa por tão pouco o ter demonstrado. Desculpa por nunca ter tido coragem de te dizer. Desculpa por não ter agido. Desculpa por não te ter podido pedir que voltasses atrás.
No final da história, aquilo que te digo nada muda, e as razões pelas quais me desculpo não foram mais do que a alavanca para aquilo que és hoje. Para a tua felicidade e sucesso pessoal. O mal que te fiz foi provavelmente a porta para o bem que alguém te faz. Não me interpretes mal, não me tento dar uma importância que sei não ter.
A pessoa que és hoje para mim, que me mostras, em nada se assemelha à pessoa apaixonada que conheci. A pessoa que me mostrou sensações que desconhecia, que me fez mergulhar numa paisagem sem fim numa noite de inverno, de olhos fechados sem olhar para trás. A pessoa que me fez sentir amada, mulher desejada, protegida.
Sei que tu e eu jamais seremos amigos. Sei que a pessoa que és hoje para mim, é a única que podes ser, e a única que mereço que sejas. Sei que tudo o que vivemos ficou lá atrás e espero, do fundo do coração, que fique sempre guardado em ti como tu ficaste guardado em mim.
Desejo-te bem, sei que és feliz, espero que o sejas sempre. Que tenhas a família que sempre desejaste e que por mais amor que eu tivesse, jamais te poderia dar.
Espero que envelheças devagarinho, com sapiência, com o coração quente, e que por toda a tua vida sejas amado como um dia eu já fui por ti.
Quis dizer-te. Porque me ensinaste um dia. Que se o sentimos, devemos dizê-lo.
Nuana
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