O medo, esse bandido

E ele chegou.
Aquele medo aterrador que aparece sem ser convidado assim que me deixo ir um bocadinho mais longe nas permissões que dou ao meu coração.

Aquele hóspede incómodo que aparece em má altura, que distorce a realidade e que me toma a tranquilidade e a troca por ânsias, por suores frios, por falta de força.

Aquela moinha que se instala na cabeça e se propaga pelo corpo como uma praga, daquelas que mói até me esgotar a energia e o discernimento.

O medo do passo mais longo que a perna, do salto mais fundo do que o calculado. A queda livre sem pára quedas.

Chega devagar, mas instala-se depressa, e de repente eu já não mando em nada.
Sou uma marioneta frágil e quebradiça, vergada à sua vontade, expectante.
O cãozinho de pata partida a beira da estrada. E concluo pela enésima vez que não aprendi nada...

Que 32 anos de vida só me deram o know-how para falar quase sabiamente sobre as questões dos outros mas nada aprendi para mim.
Dei tudo o que tinha e não sobrou um pouco dessa poção mágica de sabedoria que possa usar agora, quando ele chega.

Volto a estar nas mãos das emoções, e elas fazem de mim o que querem.
Ludibriam-me com cores e lugares reconfortantes para me gelarem de medo quando me instalo confortável no seu sofá de enganos.

Comentários

Amorinha disse…
Gostei muito! É isso mesmo... o medo!

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