Só tu sabes de que cor pintar a tua vida
O meu amigo e fotógrafo Hugo Macedo desafiou-me a escrever um texto para esta sessão de magnificas fotografias. E eu escrevi. :)
Vejam este e outros trabalhos do Macedo aqui: http://www.hugomacedo.net/
Vejam este e outros trabalhos do Macedo aqui: http://www.hugomacedo.net/
É preto. É branco. É preto e branco. Porque no preto e branco estão todas as cores. As cores da opção. Só tu sabes de que cor pintar a tua vida. Só tu sabes por onde queres ir, que cheiros queres sentir. As texturas estão todas aqui, no circo montado, mas o papel de cada uma vem do livre arbítrio. A luz tem vários tons, os caminhos estão feitos para poderem ser contornados, as regras são feitas para serem quebradas, para delas se fazerem novos caminhos. A natureza nunca desilude, a desilusão é não procurar nada nela. A aceitação, o contentamento, o desconhecimento… Privam, turvam, entorpecem.
Os perfumes têm amadeirados mas não são madeira, cheiram a essências florais mas não são o campo. Tem cores mas não reais. Não nasces dentro de um frasco, há caminho para desbravar, sensações para explorar, prazeres por descobrir. És um cordeiro mas não pertences a um pastor. O mundo é a tua casa, a vida o teu mapa, as tuas escolhas o caminho.
É preto e é branco, é luz e é sombra, é dia e é noite, é quente e é frio, é feio e é bonito, é frio e é quente, é prazer e é desconforto, é limpo e é sujo. Nada existe sem um antónimo. A existência é por si só, a mãe da oposição. É isto tudo e muito mais, e está em todo o lado, a cada interseção. Está sempre tudo misturado, como uma infusão, onde sentes o que mais te apraz, onde descobres o que te sacia. Escolhes o que te sacia, e se escolhes viver insaciado, então não desdenhes a minha satisfação. O teu nojo é o meu prazer, o teu pequeno é o meu grande. Escolheste a porra do teu arco-íris, encontraste o teu rebanho. Segue o teu cajado, que eu estou ocupado a pintar o meu preto e branco com as cores que eu crio, à minha medida. A descobrir cheiros da terra e das coisas.
Não sou do rebanho, sou do mundo. E o mundo deu-me o livre arbítrio.
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