Let it go
Abdicar é difícil. Deixar ir. Libertar. Quebrar essa linha que nos liga ao conforto.
Seja ele que tipo de conforto for. Por vezes é tão simplesmente uma amarra.
Que nos prende a nós e a um outro ser ou bem material ou imaterial.
Mas que representa apenas uma ligação fictícia, alimentada por uma mente tão racional, por uma ligação do cérebro que nos diz que ali é bom, que é seguro.
Que segurança nos pode dar um vínculo?
Um papel, uma promessa, um contrato?
Quando nem o que temos com a vida é vitalício?
Ainda assim, abdicar é duro.
Deixa-nos sós, entregues a nós próprios, à mercê das nossas escolhas e do nosso árduo trabalho de construir com a força do nosso corpo e mente uma estrutura sólida.
Uma estrutura à prova de chegadas e partidas, à prova de encontros e desencontros.
Mas nunca nos deixa sós, porque é fruto do árduo trabalho que aprendemos a desenvolver connosco.
Nós nunca nos abandonaremos, nunca cortaremos as amarras que criamos dentro de nós, com a nossa mente, com o nosso coração.
Abdicar não é leviano, nem cruel.
Deixar ir aquilo que mantemos por capricho é de uma sinceridade e altruísmo que muitos não conseguem ainda entender. Ainda.
O caminho faz-se caminhando.
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